FIM DA ERA MIDIÁTICA NA PGR? - Por Sérgio Pies, jornalista

A Justiça midiática, a busca dos refletores, a paixão partidária latente, a procura de entrar para a História a fórceps, é uma fase que chega ao final (até que enfim, com o perdão do pleonasmo), com a saída de Rodrigo Janot da Procuradoria Geral da República e a chegada da primeira mulher a ocupar o posto, Raquel Dodge.

Janot teve sim seus momentos de brilhantismo, mas chegou ao final do seu mandato preocupado muito mais com sua imagem do que com seu cargo; muito mais com seu futuro do que com seu passado.
Provável candidato ao Governo de Minas ou ao Senado, ele tratou se preocupar bem mais com essa visão de futuro. Acabou se enredando naquele assunto mais destacado das últimas décadas: a delação premiada dos irmãos Batista.

Traído por um companheiro da Procuradoria, que passou para o lado da grana quando ainda era membro do MP, Janot fez um acordo espúrio com a dupla de criminosos e depois, por uma pressão da opinião pública nacional, achou milagrosamente umas fitas escabrosas, o que o salvou da vergonha, por, enfim, mandar os irmãos para o xilindró. Janot teve altos e baixos, ajudou mesmo a combater a corrupção, mas os holofotes foram mais importantes. Sai pela porta dos fundos, quando poderia ter saído com um prestígio de um Sérgio Moro. Perante a opinião pública, não há comparação entre os dois...

O novo nome da Procuradoria traz consigo a expectativa de que a função volte a ser apenas a de uma estrutura vital para a democracia e não apenas uma sucessão de buscas de holofotes da mídia. Raquel Dodge chega ao cargo com uma vida funcional exemplar e traz consigo a esperança de que a Lava Jato e outras operações contra a corrupção continuem, mas sem a forma cinematográfica com que Janot tratava essas questões.

É uma esperança de que a Procuradoria volte a ser a entidade vital para combater os mal feitos, mas sem o estrelismo e até o partidarismo com que Janot trabalhou em muitos momentos. Enfim, há um fio de esperança de que as coisas melhorem e que a criminalização de tudo, em troca de holofotes, não seja o mote principal da nova Procuradora.

Tomara que ela seja o que se espera: dura, mas sem a paixão pela mídia, que encantou seu antecessor. Justa e apaixonada, mas apenas pela lei. Se fizer apenas isso, já poderemos dizer que a troca foi para muito melhor.

PORTO VELHO

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