Lula enfrentará entraves políticos e jurídicos

Ex-presidente afirma que está no jogo eleitoral do próximo ano e ataca a decisão do juiz Sérgio Moro Ex-presidente afirma que está no jogo eleitoral do próximo ano e ataca a decisão do juiz Sérgio Moro

Dentro do PT, o discurso oficial é unânime: Lula é o plano A, B e C, e a legenda não considera alternativas. A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), diz que a condenação tem o objetivo de tirá-lo da disputa e a legenda não aceitará uma eleição sem Lula.

Ao esquecer o “Lulinha paz e amor”, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou o juiz Sérgio Moro e se colocou oficialmente como candidato à Presidência da República no primeiro pronunciamento após ser condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. “Quem acha que é o fim do Lula vai quebrar a cara, porque quem tem direito de decretar meu fim é a população brasileira”, afirmou. O tom do discurso dá uma amostra da linha com que o Partido dos Trabalhadores pretende conduzir a eventual campanha. Entretanto, são muitos os entraves políticos e jurídicos no caminho.

Dentro do PT, o discurso oficial é unânime: Lula é o plano A, B e C, e a legenda não considera alternativas. A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), diz que a condenação tem o objetivo de tirá-lo da disputa e a legenda não aceitará uma eleição sem Lula. “A condenação é política e não vamos aceitar. Ou deixam o Lula participar e ganham dele nas urnas ou darão um novo golpe, que será uma fraude eleitoral”, disse em entrevista publicada pelo Correio nesta semana.

Entre as lideranças petistas, a retórica se repete, porém, nos bastidores, fala-se que Lula é o plano A do PT porque é o único. Devastada pelas denúncias de corrupção e tendo perdido o poder nos municípios, nos estados e no governo federal nos últimos anos, a legenda se apoia na estrela que ainda brilha, sustentada pelas pesquisas eleitorais, que mostram o ex-presidente na liderança com média de 30% e 40% dos votos.
A intenção da cúpula do PT é protelar ao máximo o julgamento final para até depois de uma eventual vitória na eleição e da diplomação. Além disso, os caciques petistas pretendem questionar todos os passos da tramitação do processo no TRE-4.

Sucessor
Além disso, conta um petista que prefere não se identificar, o próprio Lula não permitiu que outro nome crescesse como um sucessor natural. “É a personalidade centralizadora e dominadora dele, não deixa ninguém ir muito longe. E ele precisa ser o candidato até para sustentar a própria defesa. E será que ele tem tanta luz agora que conseguiria iluminar outro poste?”, questiona, em referência à ex-presidente Dilma Rousseff, que foi lapidada por Lula para chegar ao posto, ou até mesmo o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad.

Na opinião do professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Caldas, Lula está sem alternativa, como em um jogo de pôquer, onde já se perdeu muito e agora só resta apostar as fichas que sobraram contra a banca para tentar recuperar algo. “É uma escolha de Sofia. Se ele for para um lado, vira presidente da República. Para o outro, ele vai para cadeia. Olha a ironia. São as opções que ele tem na vida. Qualquer um faria a mesma coisa”, analisa.

PORTO VELHO

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