Pesquisadora de RO identifica vírus que ataca crianças

A pesquisa conduzida pela pesquisadora em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-RO) e diretora Científica do Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (Cepem/Sesau), Najla Benevides Matos, evidenciou a circulação dos vírus causadores de diarreia infantil: rotavírus (RVA), adenovírus (HAdv) norovírus (NoV) e astrovírus (HAstV) entre a população pediátrica de Porto Velho, onde segundo dados do IBGE 2015 a taxa de mortalidade é de 13,36 mortos a cada mil nascidos vivos. A identificação dos vírus, explica a pesquisadora, possibilita o desenvolvimento de vacinas específicas para combater a doença.

A pesquisa foi publicada em revistas internacionais “Arch Virol. 2014 May;159(5):1139-42, Mem Inst Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Vol. 110(2): 215-221”, e rendeu convites este ano para ser apresentada na 8ª Conferencia de Microbiologia Clínica em Paris-França.

‘‘Outros estudos já tinham sido realizados em Porto Velho para identificação de rotavírus e adenovírus, mas esse é o primeiro estudo em Rondônia que mostra a incidência e prevalência não só desses vírus, mas de dois outros circulantes na nossa região, que é o norovírus (NoV) e astrovírus (HAstV).

Ao todo 591 crianças participaram da pesquisa. ‘‘Nós tivemos uma incidência muito alta de rotavírus e tendo como segundo vírus mais prevalente o norovírus. O interessante é que em 2006 foi introduzida uma vacina contra uma cepa circulante do rotavírus e foi percebido que houve sim uma diminuição dos casos de diarreia infantil, mas nós temos crianças que ainda são acometidas com o rotavírus de outro genótipo circulante na nossa região. Esse trabalho já foi citado por outros artigos internacionais e coloca Rondônia dentro do contexto da pesquisa referenciada’’, revela.

Amostras fecais de crianças menores de seis anos de idade hospitalizada no Hospital Infantil Cosme e Damião, localizado em Porto Velho e referência no Estado de Rondônia, foram coletadas e testadas no período de fevereiro de 2010 a fevereiro de 2012. A iniciativa foi contemplada e apoiada pelo Programa Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PPSUS) do Ministério da Saúde (MS) e com contrapartida do governo de Rondônia através da Fundação Rondônia de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa (Fapero).

PORTO VELHO

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