Janot calibrou a artilharia e passa o “bastão” para Raquel

Saída de Janot e entrada de Raquel na PGR gera expectativa grande no país Saída de Janot e entrada de Raquel na PGR gera expectativa grande no país

Depois de quatro anos, o procurador Rodrigo Janot cumpriu nesta sexta-feira (15), mesma data de seu aniversário de 61 anos, seu último dia útil de trabalho no comando do Ministério Público Federal (MPF), e ele encerrou suas atividades fazendo um balanço de sua gestão.

Na reunião de encerramento de gestão, Janot disse: “Juntos vivemos e escrevemos um capítulo muito especial na história do país e do Ministério Público. A esperança ainda triunfa nesta casa. Valeu a pena para mim cada minuto de labuta, e até de sofrimento”.

De acordo com dados referentes ao segundo período de Janot na Procuradoria, que comandou de 2013 a 2017, na área criminal, que envolve a Operação Lava Jato, foram feitos 242 pedidos de abertura de inquérito, 98 pedidos de busca e apreensão, de interceptações telefônicas e quebras de sigilo bancário e 66 denúncias foram enviadas à Justiça.

A SUBSTITUTA
A partir de segunda-feira (18), a PGR será comandada por Raquel Dodge, e reina uma grande expectativa em Brasília sobre de que forma ela vai conduzir a PGR, especialmente os últimos processos, um deles envolvendo diretamente o presidente Michel Temer, que a escolheu dentre os três indicados na eleição interna da Procuradoria, onde ela foi a segunda mais votada.

O flecheiro Janot calibrou a artilharia especialmente no fim da gestão. Levantamento mostra que o procurador-geral se dedicou a limpar a gaveta nos últimos 30 dias: foram sete denúncias da Lava Jato no período, contra apenas quatro no resto do ano de 2017.
Desde que a investigação chegou ao STF, Janot apresentou 35 denúncias contra políticos, incluindo duas que tiveram como alvo o presidente da República, Michel Temer (PMDB). O levantamento considera apenas as denúncias relacionadas à Operação Lava Jato.

A decisão de Temer quebrou uma tradição estabelecida no primeiro governo Lula e mantida desde então: tanto o petista quanto sua sucessora indicaram ao cargo o preferido entre os pares. Ao optar por Dodge, o governo gerou especulações de que ela pudesse, de alguma maneira, aliviar em relação aos políticos. A procuradora, que pertence a um grupo distinto ao do antecessor no MPF, nega que tomará qualquer medida nesse sentido.
A hiperatividade de Janot no fim de seu mandato sugere, no entanto, que ele não quis deixar à sucessora decisões sobre parte importante das investigações. Ao deixar a PGR, Janot terá aumentado muito o poder do cargo que ocupou desde o dia 17 de setembro de 2013, quatro anos atrás. Foi o responsável por todas as ações da PGR na Lava Jato até aqui. Agora, a missão ficará nas mãos de Raquel Dodge.

PORTO VELHO

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