Partidos mudam de nome para fugir da ira do eleitor

Legendas tiram a palavra “partido” e adotam palavras como “Podemos”, “Avante” ou “Patriota”; cientistas políticos veem estratégia como jogada de marketing.

REDAÇÃO

De olho nas eleições de 2018, um grupo de partidos aposta na mudança de nome, inclusive com a retirada da palavra “partido” da nomenclatura, para se apresentar como uma nova alternativa e se descolar da atual crise política e se aproximar dos eleitores.
O PTN já efetivou a troca para Podemos. O PTdoB virou Avante. O PSDC se intitula agora Democracia Cristã. O PEN quer passar a ser denominado Patriota.

No PMDB, há um estudo para que a legenda resgate as origens e volte a ser MDB, como na época da ditadura, em que fazia oposição ao regime militar. O presidente da sigla, senador Romero Jucá (RR), chegou a defender a ideia em 2016, mas a discussão não foi adiante.

No entanto, o G1 apurou que ele pretende retomar esse debate até o fim deste ano.
Com o objetivo de se fortalecer para a disputa eleitoral, o DEM, que já foi PFL, também estuda alterar novamente o nome e articula uma revisão do estatuto para atrair parlamentares do PSB. Uma possibilidade aventada atualmente é que a sigla venha a se chamar Mude.

Regras atuais
Pelas regras de fidelidade partidária fixadas pela legislação eleitoral, os parlamentares que quiserem mudar de partido terão que aguardar até março, seis meses antes da eleição, quando será aberto prazo de um mês para que migrem sem sofrerem punição. Quando a mudança é feita fora desse período, os parlamentares podem perder o mandato.

As situações aceitas fora desse período são em caso de criação ou fusão de legenda ou de mudança substancial ou desvio do programa partidário, além de grave discriminação pessoal.

Algo pouco eficaz para o eleitor brasileiro.

A simples mudança de nome, porém, é vista com ceticismo por cientistas políticos, que consideram a estratégia somente uma jogada de marketing.

Na avaliação de David Fleischer, Universidade de Brasília (UnB), alterar o nome representa “apenas uma mudança de fachada” e que é preciso haver uma reforma política profunda.

Roberto Romano, professor de política e ética da Universidade de Campinas (Unicamp), também considera ser algo pouco eficaz para o eleitor brasileiro.

De acordo com Romano, a tendência de trocar as siglas por palavras também tem uma explicação ligada às coligações partidárias.

Como é comum partidos usarem no nome termos como “socialista” ou “liberal” para indicar o seu posicionamento político, na hora de fazerem alianças, causava um certo estranhamento a união de partidos com ideologias diferentes. Com a mudança do nome por palavra, isso ficará menos evidente.

PORTO VELHO

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