Cerca de 500 aguardam para receber algum órgão

75% das famílias resistem à doação de órgãos em Rondônia, diz governo 75% das famílias resistem à doação de órgãos em Rondônia, diz governo

Deste total, 95 esperam pelo transplante de rins, 300 passam por exames para serem aptos a entrar para o cadastro e mais 100 estão no aguardo do transplante de córneas

O governo de Rondônia revelou na semana passada que quase 500 pessoas estão na fila do transplante de órgãos no estado. Deste total, 95 esperam pelo transplante de rins, 300 passam por exames para serem aptos a entrar para o cadastro e mais 100 estão no aguardo do transplante de córneas, segundo a Central de Transplantes de Rondônia.

De acordo com a Central de Transplante, aproximadamente 75% das famílias dos possíveis doadores não autorizam a entrega dos órgãos dos parentes para doação.

É uma resistência que, segundo o governo, contrasta com os avanços e investimentos feitos pelo estado para garantir a segurança e eficiência dos transplantes.

Segundo o coordenador da Central de Transplantes, Alessandro Prudente, as máquinas de perfusão renal fazem parte dos mais recentes investimentos do estado. De 2014 a 2017 foram realizados cerca de 230 transplantes de córneas e 52 de rins.

Neste ano, segundo o governo, foram feitos 40 transplantes de córneas e 12 renais.

Mas seja qual for o órgão, a principal barreira continua sendo a recusa das famílias em autorizar as doações. Este ano, por exemplo, foram registrados apenas quatro doadores de rins.

Para o coordenador, se fossem feitos 50 transplantes de rins por ano, a fila pararia de crescer. Meta que deve ser atingida entre quatro a oitos anos. Para este ano, a central pretende alcançar 24 transplantes renais.

Mas tudo depende do quanto à população esteja sensível a atender o anseio desses pacientes em terem uma nova vida a partir dos transplantes. Além da central localizada em Porto Velho, o trabalho de sensibilização de famílias é feito nos municípios de Ji-Paraná, Cacoal e Vilhena que com o apoio de aeronaves disponibilizadas pelo Estado fazem o deslocamento dos órgãos.

Transporte mais rápido de órgãos, estrutura hospitalar de alta complexidade, profissionais capacitados, equipe empenhada em sensibilizar famílias, todos esses esforços valem a pena quando o órgão é transplantado com sucesso. É mais que uma cirurgia, é a mobilização pela vida.

PANORAMA NACIONAL
Os dados oficiais do Ministério da Saúde (MS) demonstram que entre janeiro a junho deste ano pelo menos 4.672 potenciais doadores foram notificados, resultando em 1.338 doadores efetivos de órgãos. Essas doações possibilitaram a realização de 12,2 mil transplantes, fazendo com que crescem os procedimentos de órgãos mais complexos como pulmão, coração e medula óssea.

Nesse mesmo período, o Brasil alcançou a maior porcentagem de aceitação familiar, que foi de 58%, superando os demais países da América Latina.

No caso dos doadores efetivos, o Brasil atingiu o percentual de 14,2 doadores por milhão de população (pmp), superando a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde em 2011, que segue os padrões internacionais. O País hoje possui a maior taxa de aceitação familiar para doação de órgãos da América Latina.

Em 2014, os dados mostravam que 58% das famílias brasileiras optaram por doar os órgãos dos seus familiares, enquanto que em 2013 o índice era de 56%. Esses percentuais são de 51% na Argentina e 47% no Uruguai e 48% no Chile. Atualmente, 95% dos procedimentos são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tornando o País referência mundial no campo dos transplantes e maior sistema público do mundo.

Qualquer pessoa pode doar órgãos, desde que concorde com a doação e que não prejudique a sua saúde. O doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, e da medula óssea ou parte do pulmão. De acordo com a legislação, parentes até o quarto grau podem ser doadores. Não parentes, somente com autorização judicial. Nos casos dos doadores falecidos, é preciso a constatação de morte encefálica, geralmente vítimas de dano cerebral irreversível, como traumatismo craniano ou Acidente Vascular Cerebral (AVC), e é necessário o consentimento da família.

PORTO VELHO

Banner 468 x 60 px