Presídio da Capital estava na lista de “salve” do PCC

Documento da uma penitenciária chamado "relato de ocorrência" registra ameaças de presos. Documento da uma penitenciária chamado "relato de ocorrência" registra ameaças de presos.

Polícia Federal deu início a uma operação para desarticular um grupo que planejava assassinatos de servidores a mando da maior facção criminosa do país. Agentes foram ameaçados durante uma discussão no interior de um presídio federal.

A Polícia Federal (PF) deflagrou ontem, quarta-feira, a operação Força e União, que visa acabar com planos organizados por detentos para matar agentes prisionais. O objetivo é desarticular o movimento organizado em unidades prisionais federais que planejava o assassinato de agentes públicos, em resposta ao regime rígido aplicado dentro desses presídios. Segundo a PF, o Primeiro Comando da Capital (PCC) costuma apelidar o regime de opressão, e pretendia se vingar. Estavam na rota de colisão da facção criminosa os presídios federais de Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Mossoró (RN) e Porto Velho (RO).

Em nota, a PF afirmou que o plano de assassinar os agentes seria uma “resposta ao que os internos do Primeiro Comando da Capital (PCC) chamam de opressão”, que é a “aplicação de regime disciplinar mais rígido, legalmente imposto dentro das penitenciárias federais.”

Ainda de acordo com informações da Polícia Federal, o PCC teria assassinado dois agentes penitenciários em menos de um ano em Cascavel (PR) e Mossoró (RN). As investigações apontaram que não há um alvo, mas há uma preferência por pessoas desprotegidas e vulneráveis, afim de não deixar rastros.

Uma das metas dos detentos era matar dois policiais por unidade. Os grupos eram articulados e se dividiam em coleta de dados e preparo das ações, os planos podiam incluir a participação de pessoas próximas às vítimas, como ocorreu no assassinato de um agente penitenciário.

Investigação da PF revela que, no último dia 30 de junho a maior facção criminosa do país decidiu cometer os homicídios com o objetivo de "intimidar e desestabilizar" os servidores que trabalham nas quatro unidades federais do país.

De acordo com parecer do MPF (Ministério Público Federal), o regime aplicado nestas penitenciárias é considerado "opressor" pelo PCC pois os agentes costumam barrar o acesso dos presos dessas unidades a "regalias ilícitas", como a posse de telefones celulares dentro das celas.

Um dos objetivos da criação de presídios federais é o de isolar líderes das facções criminosas e diminuir seu poder de influência nos sistemas penitenciários de origem. Dados do Depen revelam que, atualmente, 570 pessoas estão presas nas quatro penitenciárias federais que oferecem um total de 832 vagas. O PCC é a facção criminosa com mais presos no sistema penitenciário federal. O número corresponde a 28,24% do total de detidos. Em seguida, aparece o Comando Vermelho, com 105 integrantes presos (18,42%) e, em terceiro lugar, está a FDN (Família do Norte), com 40 integrantes presos (7%).

PORTO VELHO

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