Falta de apoio a produtores rurais de Porto Velho

Ela gasta 100 reais de frete todas as semanas – ao fundo o vazio dos feirantes que não podiam pagar o frete Ela gasta 100 reais de frete todas as semanas – ao fundo o vazio dos feirantes que não podiam pagar o frete

Todas as quintas-feiras nos últimos dois meses tem sido a mesma coisa: pequenos produtores rurais que fazem funcionar uma feira na área de entrada do Incra, em Porto Velho, têm de dar o jeito para trazer dos lotes, em vários locais de produção no entorno de Porto Velho e até no Candeias, porque os caminhões prometidos para o transporte não aparecem.

E a cada quinta-feira, por causa do alto custo do transporte o número de sitiantes é reduzido, como foi bem observado ontem – um frete desde o loteamento Joana d’Arc até ao Incra em frente à Polícia Federal sai, vinda e ida, 100 reais.

Feirantes garantem que só trazem seus produtos porque temem perder o espaço na feira, porque quem faltar por três vezes tem de sair, mas reclamam que não contam com qualquer tipo de ajuda para o transporte.

Eles dizem que já tentaram que órgãos como a Seagri e a Semagric dessem apoio a eles, mas apenas ouviram promessas nunca cumpridas.

Ainda ontem uma feirante lembrava que praticamente todo o seu lucro, se vendesse tudo que trouxe, estava comprometido com o custo do transporte. “Preciso comprar um remédio mas já vi que não vai dar”, reclamava.

“A gente ouve o pessoal da Emater, da Seagri e da Semagric dizer que dá apoio ao pequeno agricultor, mas na realidade isso não acontece porque o apoio deve ser também o transporte”, reclamava um vendedor de verduras.

Pessoas que frequentam a Feira do Incra há algum tempo disseram que a falta de transporte é um forte entrave para os agricultores. Segundo eles, tudo ali comercializado é produzido pelos que vêm vender, mas sem apoio a feira corre o risco de desaparecer.

Em todas as conversas com os feirantes do Incra, um problema salta à vista, a falta de transporte para trazer seus produtos. E outro, que pode prejudicá-los e aos consumidores, já se faz sentir: a ameaça da desistência e da venda direta aos atravessadores.

E, pelo que disse ontem um agrônomo contumaz comprador da feira do Incra, a tendência, caso a prefeitura e o governo do estado não agirem rápido, é que os produtores, ao invés de trazerem eles mesmos pagando o transporte, aceitem vender para os atravessadores, pelo preço que estes decidirem pagar ainda que seja aviltante

Como ontem já dizia um dos feirantes, que teve oferta de atravessadores: “Pelo menos não perco tudo e nem fico estressado quando o dinheiro está curto e o freteiro não quer fazer fiado”.

PORTO VELHO

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